31/10/11


Gilbert Garcín
O MAIOR AMOR DO MUNDO

Ontem saltei pela sétima vez
da ponte
A mesma ponte sem rio por baixo
sem trovoadas por cima
Imaginei um oceano
coroando a noite
como um mar de pétalas
que se junta
a um mar de pérolas
que resulta
num mar de pedras
rolando
por baixo da ponte
E o frio era tanto
que abraçar a mim mesmo não bastava
Agarrar o ar
revendo
um barco que aderna
por trás do horizonte
enquanto salto
pela sétima vez

(outubro, 2001)

12 comentários:

Janaina Amado disse...

Impressionante, Lalo. Senti o sétimo pulo desde a ponte no nada. Formidável.

Lalo Arias disse...

Jana, não sei o que seria da minha poesia se não fosse essa vertigem que me assalta constantemente.
Um beijo.

Wilson Torres Nanini disse...

A sua sorte felina chega ao fim?

Abraços!

Lalo Arias disse...

Agradeço pela leitura atenta. Até que enfim que alguém entendeu.
Abração, Wilson.

Cris de Souza disse...

Arrepiou, senhor lalo!

Um beijo*

dade amorim disse...

Não acredito. Tudo muda, isso também vai mudar.
Beijo, Lalo.

Lalo Arias disse...

Você não imagina o frio que fazia, Sra. Cris, de arrepiar de fato.
beijo.

Lalo Arias disse...

Até o ar que agarramos muda, Dade.
Beijo.

Andrea de Godoy Neto disse...

Lalo, este poema é um absurdo de tão lindo. Vertigem e arrepio...e eu fiquei pensando que no sétimo salto já não se cai e pé, não é?

um abraço pra ti

Lalo Arias disse...

Andrea, acho que esse poema (não tenho certeza) fala da maneira como voltamos sempre a amar, apesar das desilusões; ou então, de que sempre voltaremos a fazer poesia apesar de todo movimento contrário a ela.
Outro abraço.

Anônimo disse...

Salta amigo ,pois ai estão a possibilidades dos encontros e dos sonhos!Esperança total! Graça

Lalo Arias disse...

Lá vou eu, Graça, pela oitava vez.
Boa noite.
um beijo.