sexta-feira é dia de compras
na verdade são poucas coisas
neste tempo de pequenas necessidades
e do cheiro da pólvora
da cebola
e do amor
não lavemos pois as mãos
e não deixemos mais que eles entrem
e nos tirem tudo
eles têm licença para roubar
eles invadem
a sala
a cama
o porão
alguém já falou sobre isto
mas é sempre bom lembrar
que meu lençol está esgarçado
minhas fronhas puídas
minha coberta é a mesma
de sempre
todas as noites
são noites de sonhos entrecortados
tenho a impressão
que na sexta-feira é sempre pior
(novembro, 2011)
A não ser pela angústia onipresente, achei enigmático.
ResponderExcluirBeijo
Tava pensando em quanto de imposto eu pago pra esses calhordas do governo: tem imposto embutido em tudo que compramos ou consumimos. Imaginei então a coisa como um filme em que os gangsters entram pela nossa casa adentro e nos roubam tudo.
ResponderExcluirDiscurpe se fui muito enigmático, mas prefiro assim quando toco em assuntos políticos. Tenho receio de ficar panfletário.
beijão
Ah, agora ficou claro. E a angústia se converteu em indignação. Muito justa, aliás.
ResponderExcluirBeijo solidário.
A poesia, na verdade, é essa "viagem", daí, a sua multiplicidade, afinal, este poema (pelo menos para mim) traz uma atmosfera de medo (iminente), algo como viver num gueto (atemporal) de Varsóvia, por exemplo. Talvez seja só eu em demasiada viagem.
ResponderExcluirAbraço.
Afonso
Dade, fico grato pelo beijo. Pela solidariedade, então, ficarei eternamente em divida com você.
ResponderExcluirOutro beijo.
Afonso, gosto de escrever poemas que trazem uma carga bem forte de mistério, de enigmas. Parece que eles ficam mais abertos às interpretações e às "viagens" dos leitores.
ResponderExcluirGrande abraço.