
Gilbert Garcín
VETERANO DE GUERRADuas horas da tarde em ponto
e a chuva veio de todos os lados
Era como se uma multidão
tivesse ao mesmo tempo
uma saraivada de lembranças
Coisas tão antigas
como um campo de extermínio
Ninguém gosta que eu fale
sobre a barbárie
pois então escrevo
quase esquecendo
que a chuva
em seu esplendor
afoga na mesma medida
criaturas indefesas
e criaturas bárbaras
E é como se agora
sorrisos impiedosos
estivessem a queimar
a pele
a sua
a minha
a da criança
na fotografia
Já vi horrores
Estive nos campos
Estive nas cidades
Subi e desci
Trouxe corpos
sobre os ombros
como outros poetas
também fizeram
Converse com o tempo
e ele lhe dirá
que há neste momento
um cerco
que se fecha
Em breve
estaremos sitiados
mais uma vez
(novembro, 2011)
2 comentários:
É mesmo, Lalo, guerras e chuvas nunca se acabam – e são tantos os seus rostos.
Beijos.
Não há como ser visionário num planeta como o nosso, Dade.
Beijo.
Postar um comentário