26/01/12


Costa Dvorezki


A ÚLTIMA NOITE NO INFERNO

Eu recordo:
a tempestade era uma cutelada
na nuca
que me derrubava
e me levantava.
Havia uma palavra presa
nos meus dentes,
depois ela escorria garganta abaixo.
Eu corria?
Nosso nome
era família.
Meu amor descia,
eu caía
e depois levantava
como se fosse um vapor
nascendo do meio-fio.
E depois?
Bem que podíamos
ouvir uma oração.
Eu corria?
Agora eu sei,
tudo pode ser resolvido
com serenidade,
então
recita novamente os versos
que eu criei pra você.
Ainda tenho seus olhos
grudados nos meus.
(janeiro, 2012)

4 comentários:

Anônimo disse...

"...Ainda tenho seus olhos
grudados nos meus."Diz tudo ,poeta dos sentidos! Graça

Lalo Arias disse...

Mais um poema pra minha filha, Graça.
um beijo.

Assis Freitas disse...

nem o inverno refrigera o inferno, lágrimas atiçam brasas



abraço

Lalo Arias disse...

Parece que tudo desmorona pra cima.
Um abraço, amigo Assis.